A importância da arte espírita.

Agradeçamos a Deus por nos permitir uma reencarnação no Brasil, não somente por ser a Pátria do Evangelho no coração do mundo, onde Espíritos bandeirantes da regeneração de nosso planeta concentram suas luzes para daqui espalharem pelos demais continentes, mas também pela diversidade cultural, étnica, religiosa, advinda da maravilhosa mistura de raças e credos, proporcionando exemplo de arte riquíssima que sensibiliza corações de todo o orbe, encarnados e desencarnados. Analisemos como pode o Espiritismo contribuir para a sensibilização e divulgação do Evangelho através da arte, assim como alguns problemas vividos pelos profissionais da arte espírita.

Vejamos como Léon Denis define arte em seu livro Espiritismo na Arte: "A beleza é um dos atributos divinos. Deus pôs nos seres e nas coisas esse encanto misterioso que nos atrai, nos seduz, nos cativa e enche a alma de admiração, às vezes de entusiasmo. A arte é a busca, o estudo, a manifestação dessa beleza eterna da qual percebemos, aqui na Terra, apenas um reflexo. Para contemplá-la em todo o seu esplendor, em todo o seu poder, é preciso subir de grau em grau em direção à fonte de onde ela emana, e isso é uma tarefa difícil para a maioria entre nós. Pelo menos, podemos conhecê-la pelo espetáculo que o Universo oferece aos nossos sentidos e também pelas obras que ela inspira aos homens de gênio. O Espiritismo vem abrir para a arte novas perspectivas, horizontes sem limites. A comunicação que ele estabelece entre os mundos visível e invisível, as indicações fornecidas sobre as condições da vida no Além, a revelação que ele nos traz das leis de harmonia e de beleza que regem o Universo vêm oferecer aos nossos pensadores, aos nossos artistas, motivos inesgotáveis de inspiração."

Bezerra de Menezes assevera que estamos na terceira fase de divulgação do Espiritismo na Terra (1997 até 2067), lembrando que "é necessário atestar a vitalidade dos postulados espiritistas como alavanca de transformações sociais e humanas, e que sua influência na cultura, nas artes, na ciência, nas leis, na filosofia e na religião conduzirá as comunidades, que lhe absorverem os princípios, a novos rumos para o bem do homem através da mudança do próprio homem."

Nesse sentido, somos de opinião que a arte dita "espírita" não deve tomar caráter sectarista com relação a outras religiões, como alguns pretendem definir de forma exclusivista a arte católica ou a arte protestante, com referência a esta ou aquela religião. A verdadeira arte espírita deve alcançar o ser humano, levando tudo o que existe de emanação divina, através da qual a natureza, o amor, o perdão, mas principalmente a imortalidade da alma, as leis de causa e efeito e a busca da reforma íntima devem ser tratadas como um cântico sagrado, um acalanto Paternal a ser plantado na consciência e no coração de cada homem, independente de credo, cor, sexo ou religião.

Focalizando os objetivos do Espiritismo, aprendemos com o Espírito de Verdade, no capítulo XXVII, item 301, 9.º de O Livro dos Médiuns que "cumpre, além disso, se tenha em conta a prudência de que, em geral, os Espíritos usam na promulgação da verdade: uma luz muito viva e muito subitânea ofusca, não esclarece. Podem eles, pois, em certos casos, julgar conveniente não a espalharem senão gradativamente, de acordo com os tempos, os lugares e as pessoas. Moisés não ensinou tudo o que o Cristo ensinou e o próprio Cristo muitas coisas disse, cuja inteligência ficou reservada às gerações futuras. Falais da reencarnação e vos admirais de que este princípio não tenha sido ensinado em alguns países. Lembrai-vos, porém, de que num país onde o preconceito da cor impera soberanamente, onde a escravidão criou raízes nos costumes, o Espiritismo teria sido repelido só por proclamar a reencarnação, pois que monstruosa pareceria, ao que é senhor, a ideia de vir a ser escravo e reciprocamente. Não era melhor tomar aceito primeiro o princípio geral, para mais tarde se lhe tirarem as consequências? Oh! homens! como é curta a vossa vista, para apreciar os desígnios de Deus! Sabei que nada se faz sem a sua permissão e sem um fim que as mais das vezes não podeis penetrar. Tenho-vos dito que a unidade se fará na crença espírita; ficai certos de que assim será; que as dissidências, já menos profundas, se apagarão pouco a pouco, à medida que os homens se esclarecerem e que acabarão por desaparecer completamente. Essa é a vontade de Deus, contra a qual não pode prevalecer o erro." Logo, em alguns casos, concordamos que uma mensagem desprovida de termos doutrinários ou apológicos ao Espiritismo, porém focado sempre nos princípios já citados, alcança resultado mais satisfatório, como tem acontecido com vários filmes, peças teatrais, novelas, músicas, poesias, pinturas e demais manifestações artísticas.

Por fim, cabe considerar que Leopoldo Machado é o bandeirante do movimento "arte espírita no Brasil", tendo sempre incentivado todas as formas de sua manifestação, ainda tímida em nosso planeta, mas, desde sua valiosa contribuição para o movimento espírita no Brasil e no Mundo, a carência de apoio à arte espírita, em regra, é flagrante, configurando uma triste realidade que deve ser revista com máxima urgência. Sob a falsa sombra Cdo "desinteresse total" ou da "prática da caridade", alguns têm em mente desprezar os gastos financeiros e o tempo despendido em quaisquer produções artísticas em geral, assim como ao fato de que alguns artistas vivem de sua arte como única e exclusiva fonte de renda. O sucesso dos filmes Chico Xavier e Nosso Lar, no ano de 2010, deve-se ao fato de terem sido produzidos por verdadeiros profissionais da arte espírita. Mesmo que uma produção tenha sido patrocinada por amigos caridosos da divulgação doutrinária, parte do recurso arrecadado com o produto final deve constituir fonte para financiar a obra seguinte, e não para ser integralmente doada para determinada instituição ou atividade, pois somente assim teremos a continuidade do trabalho e não ficaremos dependendo exclusivamente dos patrocínios que nem sempre chegam na hora certa.

Encerramos essa reflexão afirmando que, graças à arte espírita, encontramos força e esperança para superar as mais difíceis provas ou expiações, aquelas a que quase sucumbimos, e que, no dia em que o espírita entender realmente o poder da arte sobre o ser humano, considerará indispensável o empenho em qualquer forma de apoio, seja financeiro, profissional, moral ou apenas de incentivo e divulgação, abrindo nossas Casas Espíritas e promovendo eventos exclusivos de divulgação artística, de maneira fraternal, nas leis do amor, "e dessa lei luminosa, canto de amor e bondade, desponta a flor mais mimosa, a lirial caridade…" (Jésus Gonçalves)

* Robson Valentim é coordenador de Cursos Doutrinários no Celm.

 

 

Quarta, às 9h
Dia 19
Expositor: Robson Valentim- "Conciliação das atividades no Centro e no Lar"

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Quinta-Feira, às 19h30
Dia 20
Expositor: Marcio Firmino- "Igualdade perante o túmulo" L. E., cap. IX, 823 e 824.

 

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